Peter Mertens: “Não tenham medo, agarrem com as duas mãos as oportunidades de 2026”
Peter Mertens, secretário-geral do Partido dos Trabalhadores da Bélgica, diz ao Peoples Dispatch que 2026 traz oportunidades para a luta de classes — se a esquerda estiver pronta para agir com ousadia.
25 de dezembro de 2025 por Ana Vračar

Ao longo de 2025, o establishment político europeu pareceu cada vez mais perdido. No plano interno, os governos enfrentaram uma raiva crescente diante do retorno da austeridade e da aceleração da militarização; no plano internacional, foram repetidamente colocados de lado e humilhados pela administração Trump. Ainda assim, os líderes europeus continuam avançando, comprometendo bilhões em endividamento conjunto para prolongar a guerra na Ucrânia, ao mesmo tempo em que oferecem apoio às prioridades imperiais dos EUA em outras regiões — desde o respaldo ao genocídio de Israel em Gaza até o endosso a ameaças contra a Venezuela e outros países da América Latina.
À medida que essas tendências avançam rumo a 2026, o próximo ano se desenha como um período de sérios riscos para a classe trabalhadora europeia: a possibilidade do serviço militar obrigatório, a normalização da lógica da guerra e novos ataques a direitos duramente conquistados. Ao mesmo tempo, esses desdobramentos podem gerar novas formas de resistência em todo o continente.
Nesse contexto, o Peoples Dispatch conversou com Peter Mertens, secretário-geral do Partido dos Trabalhadores da Bélgica (PTB-PVDA), cujo partido se tornou uma referência central para a política anti-guerra e anti-austeridade na Europa. Mertens reflete sobre as principais tendências políticas de 2025 — e sobre os perigos e oportunidades que estão por vir no próximo ano.
Peoples Dispatch: No início do ano, a Bélgica viu a nomeação de um novo governo, a chamada coalizão Arizona. Desde então, houve grandes mobilizações contra ele. Para começar, como está a situação agora com o governo e o que podemos esperar das mobilizações daqui para frente?
Peter Mertens: Há cerca de um ano, a Bélgica tem um governo muito à direita, que é chamado meio em tom de brincadeira de coalizão Arizona. O que eles estão tentando fazer é organizar um grande retrocesso social, essencialmente um grande assalto contra os trabalhadores.
A resistência a esse governo foi imediata. Em meados de janeiro, pouco antes de o governo assumir oficialmente, 35 mil pessoas protestaram em Bruxelas. Um mês depois, já havia 100 mil pessoas nas ruas. E essa mobilização continuou sem interrupção. É uma das maiores mobilizações sociais desde os anos 1960: ao longo do último ano, houve 13 manifestações nacionais focadas em questões sociais e econômicas. Também ocorreram cinco dias nacionais de greve em todo o país. E agora há um plano de ação que se estende por janeiro, fevereiro e março de 2026, apoiado pelos sindicatos ACV-CSC e ABVV-FGTB.
Acho que uma das principais razões pelas quais essa mobilização se manteve por tanto tempo é que suas reivindicações são amplamente compartilhadas, não apenas entre os trabalhadores, mas por amplos setores da sociedade. A questão central são as aposentadorias. Há forte oposição às políticas que empurram as pessoas a trabalhar até os 67 anos.
Depois vem a indexação salarial. Na Bélgica, existe um mecanismo automático de indexação, que garante que os salários subam quando os preços sobem, protegendo os trabalhadores da inflação. Essa é uma conquista duramente obtida da classe trabalhadora, mas o governo quer enfraquecer esse sistema. Uma terceira questão diz respeito aos adicionais — pagamentos extras para trabalhadores que, por exemplo, trabalham à noite. O governo também propõe cortes nisso.
Por fim, há uma reivindicação positiva que une o movimento: um imposto sobre os milionários.
Dito isso, o governo se recusa a ouvir os sindicatos e segue adiante de qualquer forma, com uma abordagem muito autoritária e fortemente orientada pela austeridade. Portanto, ainda não sabemos como isso vai terminar. O que está claro é que será um grande confronto.
Peoples Dispatch: O governo Arizona também tem sido um dos defensores mais vocais da militarização na Europa. O que você acha dessa crescente normalização dos gastos militares e da guerra?
PM: Nós nos mobilizamos contra isso desde o início. Nossa posição é clara: somos contra a guerra na Ucrânia e também contra a política da União Europeia de prolongá-la. O que vemos hoje é que alguns líderes europeus — eu os chamaria de líderes secundários, impopulares em seus próprios países — estão agora conduzindo a política da UE e pressionando para continuar essa guerra sangrenta e insana.
Nós nos opomos não apenas à guerra em si, mas também à militarização mais ampla da sociedade. Donald Trump já conseguiu avançar essa agenda de militarização na cúpula da OTAN em Haia, em junho, quando impôs a norma de gastos de 5% — o que imediatamente chamamos de “norma Trump”. A mensagem dele foi clara: a guerra na Ucrânia é cara demais para os EUA, e queremos focar na China. A Europa é quem deve pagar a conta.
Nesse contexto, o que aconteceu recentemente na Alemanha, com a grande greve estudantil no início de dezembro, foi muito importante. Dezenas de milhares de jovens se mobilizaram contra o retorno do serviço militar obrigatório. E esse debate também está surgindo na Bélgica.
Não é surpreendente que ouçamos muita ansiedade entre os jovens. Declarações como a feita recentemente por Mark Rutte, dizendo que as pessoas deveriam se preparar para uma guerra em grande escala como seus avós fizeram, geram medo. Em resposta, estamos tentando construir um movimento que resista à militarização da juventude e da sociedade como um todo.
Essa luta é importante por si só, mas também está claramente ligada à austeridade. A conexão é óbvia. O governo de direita quer impor um pacote de austeridade de € 32 bilhões, o que é enorme para a Bélgica. Ao mesmo tempo, uma parte significativa do gasto público está sendo usada para a expansão militar. Todos os setores da sociedade belga — e acho que da sociedade européia — estão sendo estrangulados: a saúde é subfinanciada, as estradas estão se deteriorando, os serviços para a juventude estão entrando em colapso, até as prisões estão superlotadas. É um desastre em toda a Europa. O único setor que vê um crescimento massivo é o militar.
Peoples Dispatch: E as pessoas já estão sentindo as consequências dessa ofensiva de austeridade?
PM: Na Bélgica, isso se traduz diretamente em austeridade. O mesmo governo que corta bilhões dos gastos sociais está comprando caças F-35, novos navios da marinha, sistemas de armas. Não precisamos de tudo isso. O litoral da Bélgica tem apenas cerca de 66 quilômetros: é um país pequeno. Se um avião decola do território belga, em um minuto ele já está fora do país. Isso não é defesa. Isso é a construção de uma força militar ofensiva ligada a interesses imperiais: interesses imperiais europeus e belgas. Isso ficou claro desde o início.
Há uma alternativa à austeridade, é claro. A Bélgica concede bilhões de euros em vantagens fiscais a grandes corporações. As empresas recebem isenções de todos os tipos, na forma de reduções nas contribuições à seguridade social e cortes de impostos, chegando a € 15 bilhões em 2025. Repensando mesmo uma parte desses “presentes”, podemos liberar bilhões para financiar a seguridade social. Outros bilhões estão escondidos em paraísos fiscais e não são recuperados, em parte porque as autoridades fiscais não empregam pessoal suficiente. Ao mesmo tempo, milhões continuam fluindo para os EUA para a compra de gás natural liquefeito caro e ambientalmente destrutivo, em vez de alternativas mais baratas, como o gás da Rússia. E, claro, não existe um imposto sério sobre os super-ricos.
Portanto, isso não é apenas uma questão orçamentária, é uma questão política. Setores da burguesia europeia escolheram militarizar a sociedade e se preparar para uma guerra contra a Rússia, e agora estão provocando e incitando o ódio. Internamente, esse tipo de ofensiva sempre significa a mesma coisa: guerra contra a classe trabalhadora, contra a seguridade social e contra os serviços públicos, que pagarão o preço da militarização.
Peoples Dispatch: Ao mesmo tempo, também vemos as elites europeias perderem espaço no cenário internacional. Desde o início do segundo governo Trump, muitos líderes europeus têm tentado abertamente agradá-lo para permanecer em seus bons favores — mas isso não parece estar funcionando. Em vez disso, a Europa parece estar em crise. Do seu ponto de vista, como você descreveria a posição da Europa no mundo hoje?
PM: Essa atitude um tanto freudiana de Mark Rutte e de líderes europeus de segunda linha, chamando o presidente Trump de “papai” e tentando agradá-lo, é um desastre. Também é um espelho da situação mais ampla da Europa.
O que aconteceu ao longo deste ano? Em junho, Trump impôs a norma de 5% de gastos com defesa na OTAN. Em julho, vimos esse chamado “acordo comercial” — que na verdade não é um acordo, porque produtos dos EUA entram na Europa com tarifa zero, enquanto produtos europeus enfrentam tarifas de 15%, e até 50% sobre aço e alumínio. Além disso, a Europa prometeu US$ 1,35 trilhão em investimentos. Foi um verão de humilhação, não há outra forma de dizer.
Isso reflete um problema mais profundo: essa geração de líderes europeus mal existe como geração política. São figuras secundárias. Isso não é um insulto, é apenas uma descrição. Veja a Alemanha: Friedrich Merz foi marginalizado durante o período de Angela Merkel, considerado inadequado para liderar. Agora, de repente, ele está no comando. Mark Rutte deixou os Países Baixos em crise, que ainda continua. Emmanuel Macron governa sem apoio popular, Keir Starmer também. Kaja Kallas vem de um país muito pequeno, onde não goza de apoio, mas se apresenta como uma grande figura anti-russa e anticomunista nos espaços da UE.
Esse grupo não tem uma visão real, e certamente não tem uma compreensão séria da situação global. A realidade é que o centro da economia mundial está se deslocando para a Ásia, para a China, a Índia e os países do BRICS. Em reação a essa mudança histórica, os EUA estão em pânico e implementando uma nova estratégia de segurança. E a verdade é simples: os EUA estão dizendo que não se importam mais com a Europa. Nesse contexto, seguir Trump como um cachorrinho não é a resposta. Comprar gás GNL de Trump não é a resposta. Comprar armas de Trump não é a resposta.
Peoples Dispatch: E então há outra corrente de figuras políticas da UE que tenta responder a essa situação defendendo o que chamam de autonomia militar e estratégica.
PM: A alternativa à dominação dos EUA não pode ser a construção de um novo bloco imperialista europeu. Mas essa opção está se tornando cada vez mais popular. Olhe novamente para a Alemanha: os planos de investimento mais recentes falam em construir um exército alemão autônomo. Em 2022, quando a Alemanha anunciou € 100 bilhões extras para o exército, foi principalmente para comprar armas americanas. Agora, os planos são comprar armas alemãs.
Dizemos claramente: nem a agressão dos EUA nem a agressão europeia são a resposta. O que precisamos, em vez disso, é de uma posição europeia completamente diferente, baseada na cooperação — inclusive com os países do BRICS — e não no neocolonialismo ou no neoimperialismo. Acredito que isso só pode ser plenamente realizado quando houver socialismo na Europa, e acho que esse debate vai crescer na próxima década. A Europa está em declínio, mas isso também significa que estamos numa encruzilhada.
De um lado, há a política dos EUA, aberta sobre sua estratégia de segurança nacional: intervir na política europeia, apoiar a extrema direita, promover políticas racistas e dividir a Europa por meio de acordos bilaterais. De outro lado, há setores da elite europeia — por exemplo, em torno da indústria armamentista alemã, empresas como a Rheinmetall — que dizem que precisamos de uma UE mais forte, mas em uma forma autoritária, desmontando o pouco controle popular que ainda existe.
Rejeitamos ambas as opções. Queremos uma Europa completamente diferente. E tentaremos avançar essa visão, não apenas na Bélgica, mas em toda a Europa, com as forças que temos.
Peoples Dispatch: Nesse contexto, como entender o fracasso da Europa em responder à agressão dos EUA no Caribe e às ameaças contra a Venezuela e outros países da América Latina? Como você sugeriu, os governos europeus atuais dificilmente mudarão de rumo.
PM: Acho que precisamos ser muito claros: a Europa, ou melhor, a UE, nunca foi um projeto de paz. Quando foi lançada após a Segunda Guerra Mundial, seus países originais eram potências coloniais: Bélgica, França, Itália e assim por diante. O primeiro mapa oficial da Comunidade Econômica Europeia (CEE) incluía a Argélia, o Congo… Grande parte da CEE era composta por colônias. Na cabeça de quem criou a UE, tratava-se de uma construção imperialista desde o início.
Dito isso, por causa da existência da União Soviética, havia forças de contrapeso dentro da Europa que promoviam a diplomacia e o diálogo. Isso incluía a Rússia, que afinal é um país europeu. A Rússia não vai se mover, não será transportada para outro lugar. Essa realidade moldou, em outro momento, uma tradição de diplomacia.
Mas essa tradição agora desapareceu. Hoje, a mudança de regime na Venezuela é discutida e apoiada abertamente em órgãos da UE e em parlamentos nacionais. Figuras como Kaja Kallas dizem abertamente que nem sequer conversarão com a Rússia. Ao mesmo tempo, é claro, conversam — e apoiam plenamente — o regime israelense assassino e genocida. Não apenas conversam com Israel, como o armam: com submarinos alemães, armas alemãs e armas dos EUA que passam por portos europeus.
Esse duplo padrão tornou-se impossível de ignorar, especialmente desde o genocídio na Palestina. As pessoas veem claramente a contradição: 19 pacotes de sanções contra a Rússia, zero contra Israel. Silêncio sobre bombardeios ilegais ao Irã. O uso de bases navais em Chipre para apoiar operações militares israelenses. Essa hipocrisia está levando as pessoas a questionar o papel da Europa. É por isso que vimos mobilizações massivas: só na Bélgica, houve 12 manifestações nacionais pela Palestina.
Peoples Dispatch: Considerando que a UE nunca foi um projeto de paz, o que suas ambições militares e econômicas atuais significam para o resto do mundo, especialmente para o Sul Global?
PM: Tome a África como exemplo. Segundo dados do Eurostat de 2020, a França extraiu € 67 bilhões em faturamento da África, a Alemanha € 24 bilhões e a Itália € 11 bilhões. Isso dá cerca de € 100 bilhões por ano fluindo da África para apenas três países europeus. É por isso que eles estão aterrorizados com o que está acontecendo no Sahel. Se o acesso ao urânio for interrompido, a França enfrenta uma grande crise energética devido à sua dependência da energia nuclear. Essa é uma das razões por trás da reorganização militar europeia: ela serve aos próprios interesses imperiais do bloco.
A Europa não é apenas um vassalo submisso dos EUA. Ela tem suas próprias ambições imperiais. Alemanha, França e Itália têm estratégias para defender e expandir suas zonas de influência. Desde 2022, a Alemanha declarou abertamente que quer se tornar novamente uma potência militar global.
Isso é um desenvolvimento novo e perigoso. Sabemos que esse caminho leva a mais conflitos, mais austeridade, mais racismo e mais ataques à classe trabalhadora. Mas, dentro desse caos, também há oportunidades para que uma força marxista genuína, ou uma verdadeira força de esquerda e da classe trabalhadora, ganhe influência.
Concordo com Lenin quando ele disse que, em períodos calmos, as pessoas podem ficar adormecidas por muito tempo — mas em tempos de turbulência, as pessoas podem aprender muito rapidamente. Líderes da classe trabalhadora também podem aprender muito rapidamente. Acho que estamos nos aproximando de um período assim. Aqueles no topo já não sabem para onde estão indo, e aqueles de baixo entendem cada vez mais que as coisas não podem continuar desse jeito. Ainda não estamos totalmente nesse momento, mas estamos nos aproximando dele.
Peoples Dispatch: Nos últimos anos, o PVDA-PTB tornou-se uma fonte de inspiração para muitos à esquerda em toda a região. Para concluir, quais são suas expectativas para 2026 e o período à frente?
PM: No nível europeu, acho que uma coisa é muito clara: o vínculo entre as lutas contra a austeridade e as lutas contra a militarização só vai crescer. Isso já é visível no Leste Europeu e, à medida que governos em todo o continente são empurrados para a norma de 5% de gastos militares, isso inevitavelmente significará cortes orçamentários mais profundos em outras áreas.
Isso virá acompanhado de medidas autoritárias — contra a liberdade de expressão, a liberdade de reunião e o direito de protestar. Já estamos vendo isso também. Militarização e autoritarismo sempre caminham juntos. Portanto, a luta de classes não será a questão na Europa — ela existirá em todos os lugares, em diferentes formas e intensidades. A verdadeira questão é se conseguiremos construir forças em toda a Europa capazes de liderar essas lutas, conquistar a confiança das pessoas trabalhadoras e conectá-las claramente à oposição à militarização e à luta pelo socialismo. Para mim, essa é a tarefa central de 2026.
A discussão já está ganhando força. No Reino Unido, por exemplo, quando o Your Party foi lançado, o debate foi explicitamente sobre se opor à guerra, à OTAN e à austeridade, e sobre o socialismo. Na Alemanha, forças de esquerda voltam a falar em socialismo ou barbárie, citando Rosa Luxemburgo. Acho que essa questão sobre que tipo de sociedade queremos viver se tornará cada vez mais importante até 2027.
Isso também precisa estar ligado à solidariedade com as lutas no Sul Global. Não pode haver empoderamento real ou libertação na Europa sem ligá-los às lutas de libertação em outras partes do mundo. Precisamos falar sobre a resistência do povo venezuelano contra o imperialismo dos EUA, sobre a resistência do povo chileno contra esse novo palhaço de direita. Portanto, quando formos aos piquetes de greve, não falaremos apenas sobre a Bélgica. Falaremos sobre os BRICS, sobre as lutas internacionais, e até levaremos livros políticos para as linhas de piquete. Isso realmente ajuda a ampliar os horizontes das pessoas e a conectar lutas locais a dinâmicas globais.
Também há grandes perigos à frente, incluindo forças pequeno-burguesas na Europa, aquelas que caem no derrotismo, que dizem: “Não podemos vencer, tudo está perdido”. Essa atitude precisa ser superada espalhando os exemplos mais positivos de luta. A mudança é construída por meio de muitas pequenas vitórias: fábricas onde os trabalhadores conseguem construir um sindicato pela primeira vez; cidades onde privatizações ou medidas de austeridade são derrotadas. Tudo isso desloca a correlação de forças.
Por fim, devemos confiar nas pessoas. As pessoas não querem guerra. Não querem exploração. Não querem catástrofe climática, enchentes, secas e devastação. O bom senso, se pudermos usar essa palavra, está do lado da classe trabalhadora. Nossa tarefa é reconhecê-lo e organizá-lo. Haverá muitos perigos, é claro. Haverá fascistas, haverá violência, haverá repressão não muito diferente da que vemos nos EUA. A Europa já tem sua própria versão do ICE — a Frontex — deixando pessoas morrerem afogadas no Mediterrâneo.
Mas haverá possibilidades reais de mudança a partir de baixo, a partir da luta de classes. Portanto, minha conclusão é esta: não tenham medo. Agarrem essas oportunidades com as duas mãos.